POLÍTICA
Promotor que fez carreira enfrentando o PCC é cotado para ser ministro de Lula
Integrante do Gaeco, em São Paulo, Gakiya tem cerca de 30 anos de atuação no Ministério Público



Há cerca de três décadas no Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya construiu sua trajetória profissional investigando o Primeiro Comando da Capital (PCC). Agora, o promotor de Justiça aparece entre os nomes cotados para comandar um eventual Ministério da Segurança Pública no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Integrante do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em Presidente Prudente, no interior paulista, Gakiya vive sob escolta armada 24 horas por dia devido às ameaças recebidas em decorrência de seu trabalho contra a facção criminosa.
A possibilidade de assumir a futura pasta surgiu em uma conversa sobre os desafios da segurança pública. Na semana passada, dias antes do segundo turno das eleições, o promotor participou de um jantar na residência do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo.
Os participantes pediram que Gakiya compartilhasse sua experiência no combate ao crime organizado. Segundo a apuração, ele teria indicado que estaria à disposição para assumir a missão caso fosse convidado.
Apesar das conversas, a possibilidade ainda não se transformou em convite.
Experiência contra o crime organizado entra na discussão
A eventual criação do Ministério da Segurança Pública depende da aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Congresso Nacional. O texto concluiu a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e seguiu para análise do plenário.
O governo Lula pretende estruturar a pasta após o encerramento da tramitação da proposta. Outro nome mencionado para o comando do ministério é o do ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT).
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A definição poderá recair sobre um profissional com experiência técnica na área policial ou no Ministério Público, como Gakiya, ou sobre alguém com maior trajetória política.
Atuação contra o PCC começou nos anos 1990
Gakiya assumiu a Promotoria de Justiça da Comarca de Presidente Prudente em 1996. Uma década depois, a cidade recebeu integrantes da cúpula do PCC. Desde então, o promotor se tornou um dos principais investigadores da organização criminosa no país.
Em fevereiro de 2019, ele foi responsável pelo pedido de transferência de 22 lideranças da facção para presídios de segurança máxima. A iniciativa ocorreu depois que o Ministério Público descobriu um plano para resgatar os principais chefes do grupo que estavam presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, também no interior de São Paulo.
Entre os transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A operação foi realizada pelos governos federal e paulista durante o período em que Moro era ministro da Segurança Pública.
As ameaças contra o promotor também atingiram sua rotina familiar. O primeiro decreto de morte contra ele ocorreu durante uma licença-paternidade, após o nascimento de seu segundo filho.


