ENTREVISTA
Faz jejum intermitente e não emagrece? 8 hábitos que prejudicam o resultado
Nutricionista Priscilla Lima explica que o resultado não depende apenas de ficar horas sem comer.


Cumprir rigorosamente as horas de jejum intermitente, aguentar a fome e perceber que a balança não se move um grama sequer é uma das maiores frustrações de quem busca o emagrecimento. O erro costuma acontecer fora das horas de restrição, por meio de hábitos como exagerar nas refeições, comer ultraprocessados e negligenciar a hidratação.
Em entrevista ao A Tarde, a nutricionista Priscilla Lima explica que o que acontece no corpo durante os períodos sem comer e os oito erros mais comuns que transformam o esforço do jejum em sacrifício inútil.
Por que o jejum nem sempre faz emagrecer?
O jejum nem sempre funciona porque o resultado depende de como o corpo produz energia. "Após comer, o organismo usa os nutrientes como combustível e armazena o excesso de glicose. Sem comida, o processo se inverte: a insulina cai, o fígado usa o estoque acumulado e o organismo passa a queimar gordura como combustível", explica a nutricionista Priscilla Lima.
Porém, a especialista alerta: queimar gordura não garante perda de peso. “O principal mecanismo de emagrecimento é a redução da ingestão energética ao longo do dia. Na prática: mesmo que o seu corpo queime gordura durante as 16 horas de jejum, se você consumir mais calorias do que gasta na janela aberta, o peso não vai cair", destaca.
Quais são os erros prejudicam o resultado do jejum intermitente?
A nutricionista Priscilla Lima listou oito erros que podem tornar inútil ficar longos intervalos de tempo sem comer. Confira:
1. Achar que o jejum 'iguala' a qualidade dos alimentos
Um dos principais equívocos é acreditar que passar várias horas sem comer permite consumir qualquer alimento durante a janela alimentar.
Segundo Priscilla, concentrar ultraprocessados, doces, bebidas alcoólicas e refeições muito calóricas nesse período pode fazer com que o déficit energético desapareça. “A janela de alimentação não transforma uma dieta ruim em saudável”, alerta a nutricionista.
Mesmo seguindo o jejum, é importante manter uma alimentação equilibrada, com proteínas, fibras, frutas, vegetais e boas fontes de carboidratos e gorduras.
2. Compensar as horas sem comer com excesso de calorias na janela aberta
Ficar 16 horas sem comer não significa ter liberdade para exagerar nas quantidades posteriormente.
Quando a pessoa compensa as calorias que deixou de consumir durante o jejum, pode acabar neutralizando o déficit energético necessário para perder peso.
Não pode nunca sair do script combinado? Pode, mas é preciso ter cuidado para não transformar uma saída da dieta em um comportamento constante.
3. Ignorar o consumo de proteínas
Outro erro é reduzir a quantidade de proteína ou a frequência das refeições com essa opção alimentar. Priscilla Lima destaca que esse cuidado com o consumo é ainda mais importante para pessoas que praticam musculação. “A proteína é importante para a preservação da massa muscular”, acrescenta.
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4. Fazer apenas jejum sem praticar musculação ou exercícios de força
O jejum não substitui a atividade física, principalmente para quem deseja melhorar a composição corporal. Segundo Priscilla Lima, a musculação, o consumo adequado de proteínas e a ingestão de energia suficiente para treinar continuam sendo fundamentais.
A falta desses elementos não impede de existir perda de peso, mas afasta de ter o resultado esperado em relação à redução de gordura e preservação muscular.
5. Esticar o período de jejum por conta própria
Muitas pessoas começam a ter resultado com o jejum intermitente e acabam, por conta própria, aumentando o período sem refeições. Esse comportamento é um erro perigoso.
Períodos excessivamente longos podem dificultar a ingestão adequada de nutrientes e tornar a estratégia mais difícil de manter.
6. Beber pouca água
A hidratação também merece atenção durante o jejum. De acordo com a nutricionista, algumas pessoas interpretam sintomas como dor de cabeça, sede e indisposição como consequências normais do período sem alimentação.
Entretanto, esses sinais podem estar associados à hidratação inadequada ou indicar que a estratégia precisa ser reavaliada.
7. Usar o jejum como 'punição' ou compensação após exageros no fim de semana
A nutricionista alerta que o jejum não deve ser utilizado para compensar o consumo de alimentos considerados inadequados.
Além de não garantir resultados, esse comportamento pode favorecer uma relação desorganizada com a alimentação.
8. Dormir mal e ignorar outros hábitos
Sono inadequado, sedentarismo e uma alimentação desequilibrada podem interferir nos resultados, mesmo quando o protocolo de jejum é seguido corretamente.
Fazer jejum emagrece mais que outras dietas?
O jejum intermitente pode favorecer a perda de peso, mas não apresentou superioridade consistente em relação às dietas convencionais. É o que mostram grandes evidências científicas recentes, como uma análise publicada na revista médica The BMJ, em 2025, com 99 ensaios clínicos e mais de 6,5 mil participantes.
O levantamento apontou que apenas a modalidade em dias alternados teve uma discreta vantagem média de 1,29 kg sobre a restrição calórica tradicional.
Quer otimizar sua rotina de treino? Confira também os erros mais comuns na rotina de musculação.
Existe um intervalo de jejum mais eficaz para seguir?
Não existe um protocolo único que seja considerado o melhor para todo mundo. De acordo com a nutricionista Priscilla, o que existem são os formatos mais estudados, que devem ser prescritos respeitando a individualidade de cada paciente. Os mais comuns são:
- 12:12 - 12 horas de jejum e 12 horas de alimentação;
- 14:10 – 14 horas de jejum e 10 horas de alimentação;
- 16:8 – 16 horas de jejum e 8 horas de alimentação;
- 18:6 - 18 horas de jejum e 6 horas de alimentação; e
- Jejum em dias alternados.
A especialista lembra que o jejum intermitente exige acompanhamento profissional e é contraindicado nos seguintes casos:
- Gestantes e mulheres que estão amamentando;
- Crianças e adolescentes;
- Pessoas com histórico de transtornos alimentares;
- Pessoas com histórico de hipoglicemia grave;
- Pacientes que utilizam medicamentos capazes de provocar hipoglicemia;
- Idosos com risco de perda muscular;
- Pessoas abaixo do peso ou com ingestão insuficiente de calorias e proteínas.
Fonte: Priscilla Lima é nutricionista com mais de 10 anos de atuação na área. Ela é pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional e apaixonada pelo universo da musculação.


